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domingo, 12 de setembro de 2010

QUEM SOU COMO PROFESSOR E APRENDIZ?

O educador é um ser humano complexo e limitado, mas não pode deixar de acreditar no seu potencial e na capacidade de aprender e evoluir dentro do que se propõe a fazer. Frente às novas tecnologias o desafio do educador é aprender a aprender e reinventar um jeito novo de ensinar, pois como cita Valente em seu texto “Aprendizagem continuada ao longo da vida o exemplo da terceira idade”, o conceito de aprender está vinculado ao de ensinar, e como sabemos, nossos alunos vivem cercados de tecnologias, e é com o uso delas que vai continuar aprendendo e se inserir no mercado de trabalho. A escola precisa dar esse suporte trazendo as tecnologias para a sala de aula para que o aluno tenha a oportunidade de, junto com o professor, por em prática novas experiências através de projetos pedagógicos. Não se pode mais ficar de braços cruzados repetindo fórmulas pedagógicas ultrapassadas, fingindo que estamos ensinando.
Partindo do princípio de que só ensino quando alguém aprende percebo que tenho ensinado muito pouco, as aulas na maioria são expositivas dialogadas ou com resolução de questões também de forma discutida, ou em grupos, mas mesmo com os alunos aparentemente prestando atenção e participando ativamente dessas aulas, muitos deles não conseguem produzir seu próprio conhecimento, pois quando se precisa de algo estudado anteriormente poucos tem essas informações. Sei que é necessário e urgente que se promova um ambiente onde o aluno seja co-autor de sua aprendizagem. Sou uma professora que está sempre buscando novos caminhos, me informando através de capacitações, divulgando o que faço, procurando ver o que os colegas estão fazendo, que métodos estão utilizando em suas aulas e, mesmo assim na prática ainda estou aplicando novas forma de ensinar de maneira muito tímida.

Moran nos provoca citando algumas diretrizes importantes para ser professor hoje, e escolhi como exemplo duas delas que são “crescer profissionalmente, atento a mudanças e aberto à atualização” e “utilizar diferentes estratégias de avaliação de aprendizagem, é através dos resultados que se pode elaborar novas propostas”. E o que temos feito? Na maioria das vezes ainda usamos as avaliações apenas como punição. A professora Beth Almeida me acalma um pouco quando fala que essa nova formação se dá a longo prazo e que além da questão da formação do professor tem-se também o problema curricular e a exigência de se cumprir, enquanto que o ideal é que esse currículo deve ser construindo de acordo com o crescimento intelectual do aluno na relação com o professor. A preocupação em cumprir com um conteúdo pré-estabelecido é um dos motivos que faz com que muitas vezes se tenha a errada impressão de que se formos usar as tecnologia poderemos perder tempo e não conseguir cumpri-lo, porém fica a pergunta: adianta cumprir o conteúdo sem a devida assimilação do aluno? Precisamos formar alunos autônomos, para isso as preocupações do educador devem se voltar para a aprendizagem e não apenas para o ensino.

Todas as reflexões aqui feitas foram interessantes e necessárias, uma ótima oportunidade para percebermos que apesar de todas as dificuldades, me sinto bastante confortável quando trago algo novo para meus alunos e também que propor uma nova visão na maneira de ensinar nem sempre é bem aceita até mesmo por parte dos alunos que muitas vezes não levam a sério essas estratégias, mas como nada vem de graça, temos o desafio de fazer com que o aluno compreenda e valorize esse novo jeito de produzir e reformular conceitos desenvolvendo competências para continuar aprendendo ao longo da vida. É assim que me vejo professora aprendiz, buscando sempre o novo, mas ainda com muitas barreiras a serem quebradas.

Onice Sousa
setembro/10

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